sábado, 2 de fevereiro de 2019

Gigantones e Cabeçudos


Em Carrazeda de Ansiães o tema era "Gigantones e Cabeçudos". Em plena "batalha criativa" com o DIABO DE BRAGANÇA só a missão de servir as tradições do território e a sensibilidade na abordagem dos promotores poderiam levar-me a abraçar esta iniciativa. No primeiro dia, falou-se do passado, presente e do futuro desta tradição tão característica deste cantinho do nordeste transmontano. Experimentamos diferentes processos de construção (acessíveis a artistas de todas as idades e diferentes percursos artísticos), utilizamos diferentes materiais, partilhamos ideias e senti no ar um entusiasmo contagiante. Cruzamos experiências e, metendo a mão na massa, a magia da criação fez-se sentir. As fotos vão falar por si. Senti-me um verdadeiro mestre CABEÇUDO.
Grato ao Município de Carrazeda de Ansiães

Grupo de Teatro Emídio Garcia


domingo, 2 de dezembro de 2018

Acácio Pradinhos - Contador de histórias

O CONTADOR DE HISTÓRIAS 

Comecei a gostar de contar histórias, como efetiva ferramenta pedagógica, em Izeda, na fileira do refeitório, aos jovens dos serviços tutelares de menores. Já passaram mais de 30 anos. O público, muito exigente, contribuiu para o apuro das competências de contador e a necessidade de renovar o repertório despoletou uma profícua curiosidade por esta caraterística social genuinamente portuguesa.

Às histórias e anedotas transmitidas oralmente pelo meu pai, por idosos do bairro d' Além do rio e das aldeias da periferia de Bragança juntaram-se outras, recolhidas na fecunda região de Trás-os-Montes e nos livros que, por missão académica, consultava. Contar histórias pedagogicamente corretas e outras “vermelhas” sempre foi uma estratégia para despertar alunos ensonados das aulas das 8.30 e, porque não, como pontos de partida para testar a expressividade e as caraterísticas da voz. Transformadas em peças de teatro, proporcionavam preciosos elementos de avaliação nas aulas de expressão corporal e artística do Instituto Piaget.


Alfred Tennyson dizia “Sou uma parte de tudo aquilo que encontrei no meu caminho” eu atrevo-me a dizer “Eu sou a mistura de tudo o que encontrei no meu caminho”.

No trajeto, o teatro e as artes que gravitam em seu redor, cruzaram-se de forma harmoniosa e coexistiram sempre de forma complementar, as minhas construções gigantes são um belo exemplo dessa partilha. Pedi aos meus amigos, companheiros de aventura nos últimos 20 anos em diferentes contextos, para manifestarem as suas opiniões sobre a experiência partilhada.

Não pretendi publicar um livro de recolhas, muito menos um livro sobre os benefícios da arte dramática com definições e reflexões de autores conceituados. Queria que fosse agradável à leitura, com ilustrações que piscassem o olho às crianças, simultaneamente, ambicionava criar um documento diferente, de salvaguarda de algumas memórias da tradição oral. 

O desiderato maior  é que a obra TEATRO – Histórias & Narrativas da Tradição Oral Transmontana se transfigure numa ferramenta de apoio a professores, animadores, técnicos  que acreditam que o teatro (ou o que lhe queiram chamar) está ao alcance de todos, desde que respeitem os códigos intrínsecos a esta forma de comunicar.

Um livro com soluções, exequíveis, acessíveis e simplificadas para dramatizar em qualquer lugar e em qualquer momento. Uma ferramenta que transforme as rotinas pedagógicas dos gestores de grupos formais/informais (crianças, jovens, adultos ou seniores) em momentos especiais.

Nessa perspetiva, as Histórias & Narrativas da Tradição Oral Transmontana surgem no formato de pequenas peças de teatro, algumas brilhantemente ilustradas pelo Zé da Fonte, outras com sugestões pessoais para uma viagem pelos sentidos: do conto à dramatização e, porque não, ao palco.
   

Acácio Pradinhos

BAIRRO FELIZ